segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O que é essencial para o mundo e para o Brasil?


O que é essencial para o mundo e para o Brasil? Há uma certa unanimidade em torno da palavra mágica "crescimento econômico" como uma suposta panaceia para os problemas humanos. Poderiam até estar corretos, não fosse a perspectiva com que a palavra é entendida.

O problema é que, quando se fala em crescimento econômico, pensa-se no modelo do passado, do final do século XIX e início do século XX, que tão bem soube retratar Chaplin em “Tempos Modernos”. O mesmo modelo que atemorizou Marx, em seu formato não-sustentável, fundado em maior quantidade de indústrias, incremento do comércio, profusão da mineração, mais hidrelétricas e termoelétricas, enfim o tipo de crescimento que implica necessariamente em sujeira, poluição e destruição do meio-ambiente. Na verdade, trata-se do paradigma “cachorro perseguindo o próprio rabo”, onde a economia persegue e tantas vezes quer se antecipar ao crescimento demográfico.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Brasil: farol ou lanterna do mundo?


Vivenciamos um momento político sério e um tanto perigoso. Esse momento pode ser simbolizado pela junção, orquestrada ou não, da atuação de quatro pessoas que trabalham incansavelmente para a desestabilização democrática: um ministro do Supremo que não respeita a toga que veste; um candidato que perdeu a eleição e resolveu retirar a máscara de bom moço que até então lhe serviu bem; um ex-cantor sem talento que voltou aos holofotes exclusivamente pelo oportunismo da grande mídia; e um ex-presidente intelectual amargurado por perceber que a história lhe reservará um papel secundário na política brasileira, principalmente em decorrência da atuação presidencial de um ex-operário sem doutorado que lhe roubou o título de estadista.

Além desses quatro trapalhões do apocalipse, não se pode olvidar do papel, muito mais relevante e significativo, da imprensa, que ecoa todo e qualquer movimento dos quatro, chegando a transformar pequenas passeatas de algumas centenas de pessoas em importantes “movimentos populares”.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Decrescimentos, a solução que já tarda


Essa ensaio é continuação do anterior, escrito em função de questionamentos que me foram dirigidos. Eis o link para o primeiro texto: http://marciovalley.blogspot.com.br/2014/11/a-obsessao-pelo-crescimento-economico.html.
É inegável que os crescimentos populacional e econômico foram imposições da conjuntura existente lá no início dos tempos. A máxima judaica do "crescei e multiplicai-vos" fazia todo sentido numa era de alta taxa de mortalidade e baixa expectativa de vida. E com pouca gente no início da civilização, o impacto da atuação humana no sistema ecológico não era relevante.
Agora, porém, no início do século XXI, já estamos pelo menos umas três bilhões de pessoas após o número recomendável. Alguma solução há de ser encontrada.

A obsessão pelo crescimento econômico como patologia social

Tim Jackson, em seu livro "Prosperidade sem crescimento: Vida boa em um planeta finito", surpreende os leitores ao apontar estudos que desvinculam o sentido de prosperidade individual à posse de riqueza. Questionadas, as pessoas tendem a identificar o desejo de prosperidade, precipuamente, ao bom relacionamento com familiares e amigos, à segurança de si e das pessoas a quem quer bem, à possibilidade de realizar coisas pelas quais se sinta gratificado, à manutenção de um emprego decente com renda meramente suficiente para a manutenção de uma vida digna e ao sentimento de pertencimento a uma comunidade da qual possa participar de forma ativa.
Jackson denomina de florescimento a possibilidade do indivíduo alcançar esse conjunto de fatores. A prosperidade, assim, está plenamente vinculada à capacidade do indivíduo de florescer. Alcançar riqueza não é, em geral, incluída pelas pessoas como um dos requisitos do florescimento. Uma renda digna, não riqueza, é um elemento considerado, todavia apenas como um meio para o sucesso na meta do florescimento.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Banestado e Petrobras: dois atos de uma mesma peça

A deputada federal Iriny Lopes publicou no Facebook um excelente texto sobre a questão da corrupção na Petrobras. O texto é público e vale a pena lê-lo para refletir sobre os processos que conduzem à derrota das oportunidades de combater a corrupção e evitar que isso se repita no caso da Operação Lava Jato, sobre a Petrobrás.
No texto, a deputada Iriny faz uma interessante ligação entre o atual problema da Petrobras e o caso do Banestado, Banco do Estado do Paraná, cujo enredo possui idênticos personagens: o mesmo juiz, o mesmo doleiro e o mesmo Estado do Paraná como origem.
O caso Banestado, ocorrido em meados da década de 1990, foi possivelmente o maior caso de desvio de dinheiro na história do país. Poderosíssimas forças políticas ergueram um muro de contenção para paralisar o andamento das investigações. Ao final, somente peixes miúdos foram responsabilizados. O caso está relatado no livro do Amaury Jr, "A privataria tucana".

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Existem juízes que orgulham a magistratura brasileira


O presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, manifestando-se sobre o caso do juiz que deu voz de prisão à agente da Lei Seca, disse que "o juiz é um homem comum. É um cidadão como outro qualquer".

Certamente existem juízes, desembargadores e ministros que se mostram despreocupados em realizar ações que envergonham a magistratura brasileira, talvez em número maior do que seria adequado. O mesmo elemento que justifica a criminalidade em geral, justifica esse despudor: a sensação de impunidade, neste caso provocada pelo corporativismo.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O paradoxo da felicidade


Estudos do Worldwatch Institute (State of the world, 2008) indicam a existência de um paradoxo da felicidade. Segundo esses estudos, o ser humano possui necessidades básicas de natureza urgente que, se não atendidas, acarretam a infelicidade.
Assim, para pessoas que estejam na miséria ou na pobreza extrema, ganhos de renda são imediatamente seguidos de um notável aumento da felicidade individual. Contudo, a partir de um determinado nível de renda o ganho relativo de felicidade passa a ser inferior e, até mesmo, a decrescer.

Detectou-se que o limite para o ganho de felicidade a partir do incremento da renda gira em torno de quinze mil dólares, ou pouco menos de quarenta mil reais, por ano. Levando-se em consideração o que tais estudos indicam, e ao contrário do que possa sugerir o senso comum, um brasileiro com salário mensal de pouco mais de três mil reais não verá sua felicidade dobrar exclusivamente porque seu salário foi multiplicado por dois, sendo possível até que diminua. Veja o gráfico:

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Corruptos, os corsários da contemporaneidade




Atualmente o tema que mais tem suscitado acaloradas discussões e divergências na política brasileira vem traduzido na palavra corrupção. Um dos polos desse debate utiliza o discurso moralista da corrupção para desacreditar o outro lado, que, por sua vez, devolve a acusação sob a assertiva de que, no Brasil, nenhum partido detém o monopólio da corrupção ou da honradez. O questionamento que se impõe, porém, é se está bem transparente, para ambas as partes, o tema a partir do qual se digladiam. Afinal, o que é exatamente a corrupção?
Semanticamente e sob um prisma axiológico, a palavra corrupção busca simbolizar a perda de valor, de utilidade ou de sentido de alguma coisa pela ação deletéria de outra. Corrupção é, assim, a degradação, o apodrecimento, a putrefação de alguma coisa por efeito do mal, da vilania. Nessa acepção, pode-se entender como mal a oxidação que torna apodrecida uma fruta até então madura. A oxidação corruptora transforma aquilo que era alimento numa fruta corrompida.

domingo, 2 de novembro de 2014

América Latina e Brasil como modelos de desenvolvimento




O geógrafo britânico David Harvey, professor emérito de antropologia da Universidade da Cidade de Nova Iorque, afirma, em entrevista publicada na Folha de São Paulo, que Dilma Rousseff, em seu segundo mandato, terá que decidir se vai tentar uma acomodação com os mercados ou se buscará satisfazer as demandas da população.
Segundo ele, a sociedade brasileira, hoje, quer mais democracia e participação nas questões políticas. A principal demanda da população atualmente é por uma maior qualidade de vida nas cidades, com um projeto urbano que priorize a melhora dos serviços de transporte, de saúde, de educação e moradias decentes.
Harvey está certíssimo. As manifestações de junho de 2013 revelaram a vontade popular de participação direta. Infelizmente, as iniciativas do governo foram barradas à época, e continuam a sê-lo hoje, como se viu da movimentação do Congresso para impedir a participação popular através dos Conselhos Populares criados por Dilma.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O grito doentio da intelectualidade corrompida




O filósofo da USP Paulo Eduardo Arantes, atualmente aposentado, publicou um artigo na Folha de São Paulo, em 27 de maio de 2001, intitulado “Extinção” (1), por ocasião do apagão elétrico ocorrido durante o governo FHC.
Em seu artigo, o filósofo recordava que Adorno e Horkheimer, meio século antes, haviam advertido que “uma das lições que a era Hitler nos ensinou é a de como é estúpido ser inteligente”, pois, segundo esses pensadores, fora a mais alta intelectualidade europeia que teria pavimentado a estrada em direção à ascensão do nazismo a partir de argumentos lógicos sobre a inviabilidade do sucesso de tamanha aberração. Deu no que deu.
Paulo Eduardo deixava claro que havia um evidente paralelo, na época de seu artigo, entre os “inteligentes” europeus do turbulento período pré-nazista e os “inteligentes” paulistas:

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Antipetismo não representa opção política, mas preconceito!

A matéria do iG cujo link destaco em seguida a esse texto corrobora o que venho alertando: o antipetismo representa mais do que um movimento contrário ao PT no governo. Trata-se de ação irrefletida de uma parcela considerável da população que aproveita-se de uma disputa eleitoral para apresentar o que verdadeiramente povoa suas cabeças: um discurso de ódio, intolerância, elitismo e preconceito contra pobres e nordestinos. Os eleitores antipetistas que não compactuam com isso devem refletir sobre quem está do seu lado.
É direito sagrado votar contra o PT. É direito inalienável manifestar opiniões. Contudo, compete a cada um dos antipetistas, constatando que a opinião que está compartilhando é idêntica à dos baluartes da segregação e do ódio, parar por um momento para pensar em que tipo de pessoa está se transformando, que espécie de pensamentos está se incorporando à natureza do ser humano que se é.

domingo, 26 de outubro de 2014

Ferocidade midiática: a necessidade de regulação da mídia


João Feres Júnior, cientista político que coordena o projeto Machetômetro da UERJ, cujo objetivo é analisar as valências das matérias publicadas na grande imprensa, declara, em entrevista ao jornal GGN, ser “muito preocupante para a democracia brasileira esse tipo de comportamento da grande mídia. A cobertura se encerrou com uma página deprimente". Referia-se ele à capa da revista Veja publicada dois dias antes da eleição e repercutida nos grandes jornais e no Jornal Nacional, da Rede Globo.
Ainda na mesma entrevista, o pesquisador sustenta que "a cobertura dos três jornais que a gente estuda, a Folha de S. Paulo, o Globo e o Jornal Nacional, se caracterizou por um viés bem forte contra a candidata do Partido dos Trabalhadores Dilma e contra o PT. Agora, no final da campanha, acho que a coisa se revestiu de uma radicalidade que eu nunca tinha visto antes. Todos os jornais e revistas semanais juntos querendo dar um golpe de mídia, ou seja, virar o resultado eleitoral por meio de um factoide que a Veja começou a publicar e que rebate nos outros jornais todos". Para ele, a campanha da oposição ao governo federal foi bancada pela revista Veja.

sábado, 25 de outubro de 2014

Último debate. Agora, a eleição!


E lá se foi o último debate eleitoral entre Dilma e Aécio.

À exceção de Aécio logo no início, com a primeira pergunta, tentando encurralar Dilma com uma espada forjada com a famigerada capa da Veja que, de forma criminosa, lança suspeitas sobre Dilma e Lula, o debate foi em geral, como os anteriores, enfadonho e morno, repetindo-se as mesmas discussões sobre corrupção dos dois partidos, defesa do governo de FHC e do próprio governo pelo Aécio, defesa dos programas do governo do PT com Lula e Dilma.
Após assisti-lo, estou convicto de que, se a eleição seguir o seu curso natural, daqui a um dia Dilma Roussef será reeleita para dirigir o país por mais quatro anos. Esse destino não será modificado pela capa desesperada e criminosa da revista Veja, nem pela atuação dos candidatos nesse debate.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Seis razões para o meu amigo indeciso votar na Dilma


Amigo indeciso,

Aqui quem te escreve é o Marcio.
Estou enviando essa mensagem indistintamente para todos os meus amigos. Ela, porém, é destinada exclusivamente àqueles que ainda estão indecisos em relação a quem votar para a presidência do Brasil.
Se você é um amigo que já decidiu em quem votar e está convicto, não perca seu tempo. Vote em quem você democraticamente escolheu. Pare de ler aqui. Vai cuidar de sua vida e seja feliz! Boa eleição!
Porém, peço ao amigo indeciso a gentileza e a consideração de continuar a ler. É muito importante para mim e, creia, para você também.

sábado, 18 de outubro de 2014

Jornalistas, eu os acuso!




A responsabilidade da imprensa pelo acirramento de ânimo entre petistas e anti-petistas é evidente. Estão fabricando um fosso que vai se aprofundando. Um dia será impossível a construção de pontes para o retorno à confraternização.
Ontem (18/10) publiquei um twit com a seguinte mensagem: "O antipetismo cego está se radicalizando e dividindo o país. Um dia ainda conseguem a guerra civil.”. É o que penso de verdade, mas esse pensamento não cabe em somente cento e quarenta caracteres, por isso a razão desse texto.
Estamos entrando num caminho extremamente perigoso, a partir do qual a percepção de uma parcela da população quanto à dificuldade de solução política pela via democrática começa a criar, em mentes menos tolerantes, perigosas ideias de dominação a qualquer preço, a qualquer custo.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Sugestões para a Presidenta Dilma


Presidenta Dilma,
Tenho apoiado o PT na internet, tentando, como muitos outros, construir algum contrapeso a esse massacre midiático. Também assisti aos debates televisivos e conversei com muitas pessoas a respeito.
A opinião, em geral, não é boa.
Não que a senhora esteja se saindo pior do que o Aécio, não está. Porém, a discussão moralista não está boa para nenhum dos dois.
O Aécio dificilmente vai sair da abordagem do tema da hora: “corrupção do PT", seja na Petrobras, seja no mensalão. Isso certamente vai exigir resposta firme, à altura.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Petrobras: a construção midiática de uma pauta negativa eleitoral


É absolutamente inacreditável que a Petrobras esteja sendo utilizada pela mídia e pela propaganda tucana como exemplo de má gestão do governo do PT.
Digo inacreditável porque bastam alguns cliques na internet para comprovar que essas notícias são falsas.
O próprio O Globo, em 29 de agosto último, teve que reconhecer que, no final do governo tucano de FHC, em 2002, a Petrobras possuía um valor de mercado de US$ 15,4 bilhões (01) e que agora, em outubro de 2014, ela valia US$ 116,3 bilhões (02), o que inclusive a fez retornar à condição de maior empresa da América Latina.
O valor da Petrobras, portanto, cresceu sete vezes e meia no governo do PT em relação ao tucano. Por conta disso, ela, cuja colocação no ranking mundial das empresa era acima do centésimo lugar, pulou para a quarta colocação em 2010 (dados da Wikipedia).

terça-feira, 14 de outubro de 2014

A crise hídrica de São Paulo e a eleição presidencial de 2014




Sentia no ar eleitoral um odor desagradável que vinha incomodando fortemente, mas cuja origem até agora me escapava. Sei que são comuns os golpes eleitorais midiáticos.
Situações de escândalos historicamente vêm sendo reiteradamente criadas pela imprensa às vésperas das eleições. Até já nos acostumamos a aguardar a chamada "bala de prata" da imprensa, aquela capaz de matar o lobisomem petista na boca da urna. "O que será que a Veja vai publicar no dia anterior à eleição?", pergunta-se a sociedade antes de toda eleição.
Não fosse trágica essa atuação da imprensa, a situação seria ridícula, vergonhosa. Obtiveram sucesso em algumas eleições, perderam em outras.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A discussão política no Facebook




Esse texto decorre dos dois anteriores aqui do blog, cuja repercussão foi para mim extremamente surpreendente. Talvez fosse útil, para quem ainda não leu, que os lesse para melhor compreensão deste. Eles estão aqui:
e aqui:
O primeiro recebeu milhares de acessos ao blog, tanto através do divulgador principal, o blog do jornalista Luis Nassif, a quem agradeço, como por meio de compartilhamentos do Facebook.
O segundo ainda está na casa das centenas, mas continua sendo compartilhado. A maioria dos comentários se alinhou com os pensamentos que expus. Todavia, como não poderia deixar de ser num ambiente plural e democrático, muitos discordaram.

domingo, 12 de outubro de 2014

O coronelismo utópico




Três dias atrás (09/10), escrevi o ensaio "Carta aberta ao antropólogo Roberto DaMatta", através do qual refutava o artigo desse renomado intelectual brasileiro intitulado "Um soco na onipotência", artigo cujo objeto era a defesa passional da candidatura de Aécio Neves à presidência da república.
Nunca foi minha intenção negar ao DaMatta o seu sagrado direito de optar por uma candidatura, direito constitucional de todos os cidadãos eleitores do Brasil. Apenas entendi que, diferentemente do que ocorre com a maioria dos eleitores brasileiros, cujo acesso à cultura e à informação historicamente vem sendo sonegado, DaMatta possui o cabedal intelectual, a pletora de informação e conhecimento, que lhe permite uma argumentação com fundamentos mais profundos do que aquilo que denominei de "redação de Facebook".
Ressaltei que, ao utilizar os mesmos artifícios retóricos rasos que são utilizados nas redes sociais, o antropólogo se despe de sua condição de intelectual, colocando-se pari passu com os ignorantes ecoadores de bordões, mantras e memes.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Um soco na arrogância da visão seletiva supostamente intelectual (ou, Carta Aberta ao antropólogo Roberto DaMatta)




Roberto DaMatta, li, ontem (08/10/2014), o seu texto “Um soco na onipotência”, onde você defende que o PT seja “defenestrado do poder” e revela ter sentido a angústia diminuída ao ver Aécio chegar ao segundo turno dessas eleições. Na sua visão, Aécio, tendo “achado o seu papel e o seu tom”, e “com sua tranquilidade”, irá proporcionar ao Brasil a “descoberta da soma e da continuidade”.
Senti uma enorme tristeza ao término da leitura. Sempre respeitei você e seus pensamentos. O seu texto para mim significou, de fato, um soco de alto teor destrutivo, porém não na onipotência do PT, mas na imagem do antropólogo Roberto DaMatta, que nunca imaginei pudesse abdicar da inteligência para defender uma causa.
Participo pouco do Facebook, mais para divulgar meus textos. Isso porque percebo nas redes sociais uma enorme carência de discussão inteligente e racional dos problemas políticos brasileiros. Trata-se de mera gritaria irracional, com repetição de memes e de conteúdo absolutamente raso. É nessas discussões adialéticas, onde não é possível o contraponto, visto como ofensa, e cuja pretensão é somente a de fazer prevalecer a própria visão e de repelir agressivamente todo pensamento que contrarie essa ótica, que vejo comumente serem usadas essas expressões de mera injúria como “petralhas”, “tucanalhas”, “privataria”, “coxinhas” e, vejam só, “lulopetismo”, a mesma utilizada por você, um intelectual.

sábado, 4 de outubro de 2014

Dia de eleição

Amanhã iremos às urnas escolher quem presidirá esse país.
Pode representar continuação, com Dilma, ou modificação, com Aécio ou Marina. Os demais não possuem chance alguma.
Penso que isso, o escolhido, o eleito, não é o mais significativo. O mais importante é o Brasil e os brasileiros.
Não existem políticos completamente santos, nem totalmente diabólicos. São brasileiros e representam, na média, o que é o povo.
O político que representa dignamente os seus eleitores é o mesmo brasileiro que dedica parte de seu tempo livre ao exercício do altruísmo, seja na distribuição de sopão aos sem-teto, seja abrigando animais abandonados, seja construindo cisternas para os pobres da caatinga.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A inviabilidade da riqueza infinita


O capitalismo visto em sua face atual, bem como o ideário econômico que lhe dá sustentação, parece, por vezes, incompreensível para as pessoas comuns, como eu.
É isso mesmo, é incompreensível de fato e não é à toa, mas propositalmente, para passar a impressão de que as medidas econômicas, privadas ou públicas, são adotadas com o nobre objetivo de atender ao bem comum.
Algo como o famoso "deixar o bolo crescer para depois dividir". Tudo isso é falso como uma nota de três reais.
As teorias econômicas modernas e pós-modernas possuem um único objetivo: produzir uma justificação teórica, acadêmica, para a acumulação de mais riqueza por aquele que já é rico ou, no limite, para proteção dessa riqueza contra perdas.
A ideia central que justifica a economia é muito simples e os jargões econômicos e o linguajar difícil são meros artifícios retóricos, sofismáticos, que buscam dar ares de cientificidade à fraude econômica perpetrada em desfavor da quase totalidade da humanidade.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Repetindo a ilha de Páscoa?


A elite de todas as sociedades que foram ou são consideradas mais adiantadas no aspecto civilizatório, historicamente enriqueceu e foi alçada ao poder de forma violenta e não sustentável, ou seja, através da exploração irracional das riquezas naturais e humanas.

Essa avidez inevitavelmente conduziu à escravidão (ou algo similar) e à exaustão e devastação das riquezas naturais em cada local por onde chegava o explorador humano.
No passado, quando confrontada com essa realidade, ou seja, com a exaustão local, a elite simplesmente expandia seus horizontes exploratórios, seja através de caravanas para lugares distantes ou por meio de viagens ultramarinas, conquistando novos territórios e submetendo populações antes desconhecidas.

Gramsci, ensino formal e cultura


Segundo o pensamento do filósofo italiano Antonio Gramsci, a aquisição de cultura pelo indivíduo é um modo de organização interior que objetiva a construção de uma consciência superior, único caminho para a compreensão de si e do mundo no qual se encontra inserido o ser humano.

Gramsci trata da cultura que se encontra num degrau mais elevado do que a simples frequência e conclusão do ensino formal, mesmo de nível superior, que é aquela que proporciona o contato pessoal com pensamentos variados de complexidade mais elevada e integrantes das diversas artes e ciências humanas. De fato, não é incomum conhecer pessoas portadores de diploma em curso de nível superior que, entretanto, demonstram, não somente uma incapacidade relativa de expor ou compreender pensamentos, falados ou escritos, como também um abissal desconhecimento dos fatos da história, da civilização e do mundo, situação incompatível com uma escolaridade dita "de nível superior".

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O pensamento econômico de Marina Silva


"Quero combater essa ideia de que Brasil precisa acabar com a elite. O problema do Brasil é a falta de elite." Marina Silva, justificando sua parceria política com Maria Alice Setúbal, conhecida como Neca, herdeira do Banco Itaú, e deixando claro que seu governo beneficiará a elite.

Creio ser importante saber o que pensam as pessoas que integram a equipe da candidata Marina Silva. Vejamos dois dos mais importantes membros de sua equipe econômica, Eduardo Giannetti e André Lara Resende.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Prisioneiros do passado



O ser humano é prisioneiro do próprio passado.
Quando finalmente o cérebro humano se desenvolveu e a inteligência alcançou a razão, o tempo despendido nessa aventura foi muito inferior ao tempo necessário à selvagem sobrevivência.
O tempo da razão é histórico, enquanto o tempo da selvageria é tectônico.
Tal disparidade temporal, com imenso privilégio da animalidade sobre a racionalidade, conduziu a história cultural humano a ser preenchida por mitos, preconceitos, dogmas religiosos, ideias de dominação e todas as demais elementos culturais incentivadores e sustentadores das desigualdades.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Desejos insanos




Quero viver num mundo no qual não se inventem convicções para justificar a iniquidade.
Onde os discursos elegantes e refinados, produzidos nos salões de granito e mármore, entre flutes de prosseco, defendam com entusiasmo genuíno o direito à vida, à liberdade e à igualdade de oportunidades e não sejam meros sofismas a esconder o interesse na manutenção da escravidão que produz a riqueza.
Um mundo no qual o ato de dar a esmola seja menos incômodo do que o fato de existirem miseráveis a quem dar.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Fuga do espaço público



















No passado, as pessoas ocupavam os espaços públicos, sendo forçadas a exercitar a civilidade.
A interação com o outro era necessária.

Atualmente, fogem do mundo, onde ninguém está disposto a entender ninguém, para os templos do consumo, onde ninguém é obrigado a entender ninguém.

A escandalização do banal




Crime do PSDB, crime do PT ou crime nenhum?
Sobre a preparação das pessoas que seriam ouvidas na CPI da Petrobras, sabe-se ser absolutamente corriqueiro que qualquer pessoa normal se prepara para uma inquirição séria, inclusive com simulação de possíveis perguntas.
Até candidatos à magistratura se preparam para a prova oral, estudando os posicionamentos jurídicos dos componentes da banca examinadora.
Isso é crime ou escandalização do banal?
O PSDB fez o mesmo em São Paulo e agora, de maneira hipócrita e desavergonhada, critica os petistas.
Leiam a coluna do Jânio de Freitas:

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A sabedoria política de Sólon


Atenas, Grécia antiga. Berço da república e da democracia.
Pisístrato dirige-se, coberto de feridas, à Ágora, praça central onde os atenienses se reuniam para ficarem cientes das notícias e tomarem decisões públicas. Lá ele noticia ter sido atacado e ferido pelos inimigos, solicitando aos cidadãos o direito de ter uma guarda pessoal, o que era proibido pelas leis de então. Tratava-se, contudo, de uma encenação: ele ferira a si próprio. O que Pisístrato realmente desejava era, municiado por essa guarda, dominar Atenas.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Questões políticas

Um dileto amigo pede as minhas considerações políticas sobre oito assuntos. Como sou prolixo, o texto ficou um pouco longo, mas resolvi compartilhar essa chatice com vocês. Afinal, é na hora da dor que se revela o verdadeiro amigo. A partir de agora abro parênteses, omitindo, é claro, o nome do amigo:
"Amigo, você me conhece, não fujo de um debate político. Pena que nem todos estejam, como você, abertos a uma discussão política. No mais das vezes, não aceitam a opinião ou a crítica alheia, como se crítica fosse outra coisa que não a exposição de uma opinião caracterizada por ser contrária a uma outra. Tomam a coisa como pessoal e, cheios de pruridos ególatras, devem imaginar a própria opinião como imune a defeitos na formação do pensamento.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A obra humana, valor e urgência




É importante que todas as pessoas com forte autocrítica ou que se sintam incompreendidas em suas ideias e que, por isso, não se deem o devido valor, mitigando o próprio talento ou se sentindo infelizes com as críticas alheias, saibam que algumas personalidades de valor histórico inquestionável não foram compreendidas em vida, somente tendo o devido valor reconhecido postumamente.
E a razão disso é que estavam à frente de seu tempo.
Seus contemporâneos não dispunham da habilidade necessária para compreensão de sua obra, de seu pensamento. Faltava-lhes a condição visionária.
Van Gogh, cujas telas hoje possuem valor inestimável, somente vendeu uma delas quando vivo. Suicidou-se pobre e tomando-se por um fracassado.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Humano e desejante




Gosto de ser humano porque aprecio ser um ser desejante e consciente. Gosto de ter ciência de que sou um ser desejante e isso a consciência me dá.
O Deus judaico-cristão é consciente, mas nada deseja porque é perfeito. A perfeição anda longe da necessidade. A ataraxia da satisfação plena assusta-me porque não entendo uma razão de viver sem objetivos e, ainda por cima, consciente da eternidade dessa desnecessidade.
Deus!, como deve ser monótono ser Deus.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Inteligência e altruísmo social


Vez ou outra assisto a programas que apresentam exemplos de pobres que, por esforço pessoal, conseguiram superar a pobreza. Invariavelmente dão a entender que qualquer pessoa esforçada conseguirá vencer na vida e que, por outro lado, quem continua na pobreza é porque é desidioso e preguiçoso.
Isso não corresponde à realidade. Nem sempre é possível vencer, por conta própria, a barreira do descaso. Alguns conseguem, outros não. A culpa não é do fracassado.
Não cabe utilizar o exemplo de superação de alguns como justificativa para o abandono dos demais.

Inteligência e ordem


Inteligência e ordem são praticamente conceitos antagônicos.
Ordem pressupõe monotonia e tédio, manutenção do que já é, na forma como é.
Inteligência implica sempre inquietação e irresignação, modificação do estabelecido, avanço e progresso.
O primeiro ser humano insatisfeito com a rotina nos legou a inteligência.
Podem existir sociedades complexas e absolutamente organizadas desprovidas de inteligência, porém jamais existirá inteligência que não desafie o conservadorismo.

Nesse sentido, a expressão positivista contida em nossa bandeira, "Ordem e Progresso", é quase uma contradição em termos.

sábado, 12 de julho de 2014

Emoção e instinto



O ser humano é pura emoção e instinto, decide sempre com o coração.
A valorizada racionalidade, ou não existe, ou é coisa diferente do que dizem.
Duas emoções comandam todas as ações humanas e uma prepondera sobre a outra. Esta é o desejo, aquela o medo.
O medo é mais decisivo, pois, quando é muito, o desejo cede e, se é débil, o desejo impera.
Toda ação depende, assim, da extensão do medo e da intensidade do desejo.
Se o medo é a corda que prende, o desejo é a força que liberta.
Se a razão é, como se pensa, o cuidado com os efeitos, seu verdadeiro nome é medo.
O ser humano racional, portanto, é aquele que poda seus desejos por medo das consequências.

Se emoção é instinto e governa, onde reina a razão?

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Bolsa-família e Copa do Mundo: má-fé e ignorância.




Mal o árbitro apitou o fim do jogo em que a seleção brasileira foi destroçada pela seleção alemã, já se iniciaram as vinculações descabidas entre futebol e política.
Numa dessas críticas, os alemães são elogiados e o governo brasileiro é atacado por, supostamente, manter os brasileiros pobres sem ânimo para o trabalho, dando-lhes o peixe ao invés de ensiná-los a pescar.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Gastos públicos com a Copa do Mundo

Nem tudo é o que parece ser.
A questão, antes da eleição do Brasil como sede da Copa, era: fazer ou não fazer a Copa? Ou, porque fazer uma Copa no Brasil? O que se ganha, o que se perde?
Para as pessoas que não são muito ligadas em futebol, a Copa certamente poderia ser sediada pela Tailândia que não faria diferença alguma. Aqui ou em qualquer outro lugar do mundo, sempre se pode ver a Copa pela televisão.
Porém, naquele que é considerado o "país do futebol" a resposta parecia simples alguns anos atrás: claro que sim.
É válida a afirmação dos críticos da realização da Copa no sentido de que o país possuía outras prioridades mais prementes. Todavia, outra coisa, muito diferente, é afirmar que a Copa trará prejuízo para o país ou que sua realização exigirá retirar investimentos da área social.

Indivíduo x cidadão




O indivíduo é a pessoa em si mesma. O cidadão é o indivíduo comprometido com a sociedade formada por indivíduos pobres e ricos.
Indivíduos podem viver em conjunto sem que isso signifique uma sociedade. Cidadãos sempre vivem em sociedade.
Em algum momento da história da humanidade deixamos a cidadania de lado. Melhoramos de vida e esquecemos dos pobres. Por quê?

Consumismo? Egoísmo? Desespero? Medo? Tudo isso junto?

Pensamento complexo, pensamento ingênuo


O ser humano é capaz de elaborar dois tipos de pensamento: o pensamento ingênuo e o pensamento complexo.
A complexidade do pensamento afasta a ingenuidade e está ciente da própria complexidade.

O ingênuo não alcança vislumbrar sequer a própria ingenuidade, caso contrário não seria ingênuo.

A manchete como caminho, verdade e luz


É preciso pôr fim ao pensamento rasteiro de parcela considerável da população brasileira que sustenta que tudo no Brasil é pior do que em outros lugares do mundo. É preciso extirpar do sentimento pátrio esse complexo de vira-lata capaz de distorcer a visão ao ponto extremo da autodepreciação, do autoenquadramento como cidadãos de terceira classe do mundo. Muitas coisas no Brasil são piores, outras porém são melhores.
O Brasil é um país continental, imenso , e inegavelmente possui muitos problemas, alguns de difícil solução. Todavia, são problemas que também afetam, em maior ou menor grau, os países mais desenvolvidos do planeta.
Por exemplo, o sistema brasileiro de saúde pública não é excelente, talvez não possa sequer ser considerado bom, mas existe. Nos Estados Unidos o sistema de saúde pública é praticamente inexistente, ou seja, o pobre não assistido por plano de saúde está virtualmente morto se precisar de assistência médica.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Experimentos de humanidade


Quem já não dormiu pedinte de não ver o dia seguinte
E no despertar teimoso da manhã de sol
Escondeu-se, furioso, embaixo do lençol?

Quem já não deixou passar um momento terno de vivenciar,
A paisagem mais linda que se possa imaginar
E o perfume mais gostoso de se aspirar?

Quem já não trocou o belo pelo pavoroso e o rude pelo carinhoso,
Ou não afastou o saber, abraçando a ignorância,
Preferindo o que é vulgar em lugar da elegância?

Mas tudo isso é discrepância, não normalidade,
Na vida o sublime superará a vulgaridade
E toda loucura será vencida pela sanidade.

Somos experimentos em nossa própria humanidade.

/Khoi-thaa, o san


/Khoi-thaa (o símbolo “/” significa um estalido tonal línguo-dental) olhou em volta e avistou uma pequena rocha com formato arrendondado, exatamente como havia desejado.
Movimentando-se como um felino, devagar e silenciosamente, dirigindo-se para apanhar a rocha, /Khoi-taa permitiu-se produzir um pequeno e silencioso estalido de felicidade, com a ponta da língua apertando a parte de trás de seus dentes da frente.
Pequeno e bastante esguio, /Khoi-thaa era um típico san, com seus olhos puxados, quase orientais, apesar de ser um povo do Kalahari africano. Vestia apenas uma pequena tanga de couro em volta da cintura, com uma funda também de couro pendurada em um dos lados. Enfeitando sua cabeça havia outra cabeça, essa escavada, de um pequeno antílope, com o couro ainda prendendo dois pequenos chifres que agora pareciam emergir da cabeça do próprio /Khoi-thaa.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Imperfeições


Por todo esse tempo o ser humano tem sido assim,
Um conjunto de imperfeições a refletir sobre si
Supondo certezas, criando imprecisões
Sobre uma identidade íntima, uma consciência,
Que, se não for mentira, pode ser condescendência.
Andando sempre sobre a navalha da sanidade
Temendo continuamente descobrir-se no visgo da loucura.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

O que é a justiça?


Os primeiros pensadores a se preocupar com a noção de justiça, como não podia deixar de ser, foram os gregos clássicos.

Aristóteles, embora admitindo que elaborar um conceito de justiça era quase impossível por tratar-se de um ideal moral muito impreciso, pontificou que o ato de justiça envolvia conceder tratamento igual aos iguais e desigual entre os desiguais.
O que isso significa? Significa que, enquanto é justo, por exemplo, tratar da mesma forma duas pessoas ricas, assim não seria se o tratamento isonômico atingisse um rico e um mendigo. Deste modo, uma sociedade justa deveria se pautar por regras morais e legais que observassem as peculiaridades dos indivíduos.
Disse decorre que, hipoteticamente, a subtração de coisa alheia praticado por uma pessoa rica deveria ser penalizada mais severamente do que a mesma subtração se praticada por um pobre. Isso porque a necessidade material que se presume no pobre, e que pode conduzi-lo ao ilícito por necessidade, inexiste no rico, que pratica o delito por prazer ou outros motivos menos desculpáveis.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Capitalismo, globalização e inovações tecnológicas


Existem pessoas que defendem, com argumentos inteligentes e racionais, ser o capitalismo o melhor ambiente possível para o desenvolvimento da sociedade e do conhecimento tecno-científico do ser humano. Segundo elas, a competitividade impõe ao capitalista oferecer inovações tecnológicas aos consumidores, sob pena de, em última análise, falirem. Citam, como exemplo dessas rápidas inovações, os computadores, telefones celulares, televisores, automóveis, produtos que mal saem das prateleiras e já estão obsoletos.
São pessoas e opiniões que devem ser respeitadas, o que não impede afirmar que o raciocínio, porém, é equivocado. Aparentemente, confundem mudanças de design e novidades superficiais e supérfluas com verdadeiras inovações científicas e tecnológicas. Além disso, colocam num mesmo balaio o que é oferecido com tudo aquilo que poderia sê-lo. Os balaios são diferentes.
Na verdade, assim como ocorre na gestão de todos os seus interesses, o sistema capitalista move-se exclusivamente pela lógica do lucro, pouco se importando com a qualidade da invenção ou com a necessidade que as pessoas dela possam ter. Uma inovação somente é disponibilizada para os consumidores se estiverem em absoluta sintonia com a lucratividade. Qualquer outra novidade, por mais benefícios potenciais que encerre, mas que escape dessa lógica, é simplesmente ignorada ou, pior, escondida das pessoas.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

O último condomínio do mundo




O mundo finalmente sucumbira a um conflito nuclear mundial.
Até onde se sabia, dos escombros daquilo que um dia fora uma orgulhosa civilização humana, com todas as suas metrópoles, somente restara um perdido condomínio no meio da floresta amazônica.
Sobrevivera por sorte, por estar escondido no meio da floresta. Era um grande condomínio rural horizontal onde se praticava uma experiência de fazenda comunitária. Praticamente uma pequena cidade, nele residiam quase duas mil pessoas que viviam de forma isolada, desenvolvendo uma economia mínima, autossuficiente e autônoma. Os próprios residentes plantavam e criavam todo tipo de cultivo e de animais.
Seus fundadores eram pessoas idealistas que se uniram na criação do condomínio, desejosos de vivenciar uma experiência de comunidade coesa e igualitária, assim fugindo ao caos da sociedade capitalista e consumista, na qual as pessoas eram valorizadas sob a métrica de suas posses.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Pseudônimos




Pessoas que pretendem realizar um trabalho com uma certa dimensão pública, mas, ao mesmo tempo, desejam manter o anonimato como forma de preservar a privacidade, geralmente divulgam sua obra através da utilização de um pseudônimo, um nome fictício alternativo ao nome real, mas que não é falso, tendo inclusive proteção legal. Não pode ser caracterizado como nome falso pois a pessoa assume a autoria e responsabilidade pelo que faz, embora identificando-se com um outro nome.
Até aqui, novidade alguma.
O interessante é que o uso de pseudônimos, em geral, é associado aos artistas, como atores, cantores e escritores. Todavia, sua utilização é muito mais abrangente. Somente para dar um exemplo, todos os papas da Igreja Católica trocam de nome ao assumir o trono papal. O nome “Francisco”, do atual papa, é o pseudônimo religioso do argentino Jorge Mario Bergoglio. Talvez alguns espíritas não saibam, mas o nome Allan Kardec é o pseudônimo do francês Hippolyte Léon Denizard Rivail.